sexta-feira, 7 de dezembro de 2007

A IMPORTÂNCIA DA IMPLANTAÇÃO DO JORNAL NA ESCOLA




Cybele Damasceno Lopes
José Arteiro Holanda



“Educar é preparar para a liberdade. As pessoas são livres porque podem escolher. E só podem escolher quando conhecem alternativas. Sem informação não há alternativa – e, portanto, sem alternativa não há liberdade.
O bom educador deve estimular a diversidade, torcendo para que seus alunos tenham suas próprias idéias. E, mais do que isso, tenham a coragem de defendê-las, devidamente fundamentadas, em qualquer situação. E, sobretudo, tenham a coragem e a segurança de se admitirem errados e mudarem sua opinião.” (Gilberto Dimenstain, jornalista)



A idéia da implantação de um jornal escolar, teve início com um pedagogo francês chamado Célestin Freinet, um importante reformador da pedagogia de sua época, cujas propostas continuam uma grande referência para a educação nos dias atuais. Seus dias de escola foram profundamente desagradáveis, e afetaram seus métodos de ensino e desejo de reforma. Em
1920 iniciou seu trabalho como professor de escola primária, antes mesmo de concluir o curso normal. Foi quando Freinet começou a desenvolver seus métodos de ensino.
Sentindo essa nescessidade de transformar o ensino em algo mais prático, participativo e criativo, deu início a sua inovação, organizou aulas-passeio fazendo com que cada criança na volta dessa atividade extra-classe pusesse no papel tudo o que vira , o que descobrira. Seus alunos criavam textos em seus cadernos mas, apesar do entusiasmo no momento da elaboração, os textos depois não eram lidos por mais ninguém. Acabavam ali. Freinet não se conformou com isso e teve uma idéia: por que não imprimir aqueles textos para que pudessem ser passados de mão em mão, lidos e relidos por outras pessoas? Então, comprou um tipógrafo e imprimiu textos livres e jornais da classe para seus alunos, depois as próprias crianças compunham seus trabalhos, os discutiam e os editavam em pequenos grupos, antes de apresentar o resultado à classe. Os jornais eram trocados com os de outras escolas. Gradualmente os textos do grupo substituíram livros didáticos convencionais.
O aumento de interesse por parte das crianças foi uma surpresa até para Freinet. Elas queriam ver seus textos impressor e mostrá-los para seus pais e amigos. Não se cansavam nunca!
Diante do que foi exposto, defendemos a importância da implantação do jornal na escola, pois através dele existe inúmeras vantagens para o desenvolvimento de crianças e adolescentes como por exemplo, a aprendizagem natural, sem esforço, da leitura e da escrita das palavras, sentindo permanente da construção de frases corretas, aprendizagem da ortografia pela globalização e análise de palavras e frases ao mesmo tempo, sentido de responsabilidade pessoal e coletiva e um novo clima de uma comunidade fraternal e dinâmica, dentre outras.


A interação professor-aluno é essencial para a aprendizagem. Para que ocorra esta sintonia é necessário que o professor considere o conhecimento do aluno já existente, e que é o fruto do meio em que vive. Estar em contato com a realidade em que vive o aluno é fundamental. As práticas atuais de jornal escolar, troca de correspondência, trabalhos em grupo, aula-passeio são idéias defendidas e aplicadas por Freinet, desde os anos 20 do século passado. Fica claro, porém, que o professor que pratica as atividades acima citadas, mas que ignorou os aspectos políticos e sociais ao redor da escola, não está de acordo com a proposta do educador. Isto porque sua pedagogia traz em seu bojo a preocupação com a formação de um ser social que atua no presente. “O Educador deve ter a sensibilidade de atualizar sua prática”, provavelmente isto faz com que Freinet, seja hoje tão atual.


O professor deve mesclar seu trabalho com a vida em comunidade, criando as associações, os conselhos, eleições, enfim as várias formas de participação e colaboração de tudo na formação do aluno, direcionando o movimento pedagógico em defesa da fraternidade, respeito e crescimento de uma sociedade cooperativa e feliz.


Com relação à intervenção do professor, só se dava para organizar o trabalho, sem precisar de imposições ou ameaças, pois para Freinet a disciplina escolar se resume no seguinte: executando uma atividade que a envolve, a criança automaticamente se torna disciplinada, assim ele apresenta meios para crescer e ascender: a liberdade. Sendo que esta é relativa e não pode existir fora da vida e do trabalho de cada um. Segundo Freinet, a liberdade é a possibilidade do ser humano vencer obstáculos.



Cybele Damasceno Lopes e José Arteiro Holanda, graduandas em Letras. Para a elaboração do presente artigo, foram orientadas pelo professor Vicente Martins, da Universidade Estadual do Ceará(UVA), em Sobral.

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